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Edição Recife

O medo te move ou paralisa?

Câncer, queda de avião, timidez, um encontro com o Papa. Enfrentar suas fobias é um exercício diário.

Pelo dicionário, a palavra medo é uma espécie de perturbação diante da ideia de que se está exposto a algum tipo de perigo, que pode ser real ou não. Do outro lado, a coragem, oposto do medo, foi o que moveu quatro funcionários, cinco convidados e o presidente Paulo Cafarelli a subir ao palco do teatro Riomar em Recife, neste último final de semana. Durante mais de 3 horas, eles discorreram sobre medos, angústias e superação, na 10ª edição do Inspira BB, realizada no sábado (11). O tema era: “Você tem medo de que?”.

Lenilda, por exemplo, tem medo de avião. Bia, não se acovardou diante da ameaça de um câncer lhe derrotar. O Mário teve que superar a timidez para avançar na vida pessoal e profissional e o Houari, por sua vez, teme que a tecnologia nos transforme em meros observadores das nossas vidas e da dos outros.

Caffarelli, acreditem, no início da carreira, já teve medo de ser demitido. E, hoje, alerta para sua maior preocupação: que todos nós, os 100 mil funcionários e donos do BB, possamos superar nossos próprios medos profissionais para fazer a empresa avançar por outros 200 anos.

As histórias do presidente e desses quatros funcionários se misturaram às de famosos como Zannah Mustapha, defensor do direito de crianças que crescem em meio à violência na Nigéria receberem uma educação de qualidade. Teve também o skatista Bob Burnquist, que não teme uma boa aventura, a diretora de teatro Meran Vargens, que ajuda as pessoas a superarem o medo do câncer de mama. Já a escritora Djamila Ribeiro falou sobre o medo do silêncio, enquanto Jakson Follmann, o goleiro da Chapecoense que sobreviveu à queda de um avião, tratou do medo daquele momento trágico. Acompanhe abaixo um pouco mais do que rolou neste evento carregado de emoção:

Travessia do medo

Após o momento teatral com o ator Eduardo Wotzik e a emocionante apresentação do violonista e cantor Felipe Machado, de apenas 15 anos, Meran Vargens abriu as palestras do Inspira. A atriz e diretora, que, em 2015, lançou a campanha "O câncer de mama no alvo da moda", falou sobre os medos que teve quando, aos 45 anos, foi diagnosticada com câncer de mama e como essa fobia inicial foi transformada em serenidade. "Se chegou, vamos atravessar", sempre pensou.

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Com esse mantra, se apegou a orações e metáforas para tentar ressignificar as afirmações carregadas de negatividade que sempre eram associadas à doença. Com isso, procurou ver a retirada das mamas como a poda de uma árvore, que a permite florescer novamente. “A minha experiência foi me contando que a oposição do medo é o amor. O que faz a gente atravessar as estruturas de medo é a possibilidade de acolhimento e a base amorosa que a gente desenvolve”, disse Meran.

Incapacidade de paquerar

Atravessar a parede do medo, para Mário Oliveira, significava enfrentar sua timidez excessiva. Com extrema desenvoltura, ele contou sua historia para uma plateia de 700 pessoas. Sua luta começou após a incapacidade de desenvolver uma simples conversa com uma menina, o que o impediu de sair com ela. A timidez exagerada, aos poucos, foi entendida como medo de viver. E isso foi aumentando até ele decidir que era  preciso perder esse medo todo.

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Quando começou a trabalhar no Banco, teve a ideia de escrever um “auto-feedback”, uma espécie de pesquisa de satisfação, onde a cada atendimento, ele escrevia o que havia feito de bom e o que precisava melhorar. E, aos poucos ele foi atravessando aquela parede. “Alguns medos continuam comigo, mas o medo de viver e a timidez, nunca mais”, destacou Mário, numa performance desinibida que fez a AGN provocá-lo sobre a timidez. E ele responde com satisfação que isso só mostra que foi bem sucedido no enfrentamento do maior medo que teve até hoje.

As aparências enganam

Quem vê o multicampeão de skate Bob Burnquist fazendo as manobras por aí imagina que ele não tenha medo de nada. Não é bem assim “Todo mundo deve esperar que eu não tenha medo, mas eu tenho sim.” Bob falou que seus medos são como os nossos, mas que sua gana por novas manobras o coloca de lado.

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“O medo a gente vai ter, mas nunca vamos saber se queremos aquilo se a gente não for atrás e não tentar”. Bob diz ainda que seu maior medo hoje é o de ser mal interpretado, não sendo bem compreendido pelos seus fãs. “Ser relacionado com algo que não concordo é um grande medo que eu tenho.”

Câncer na gravidez


Uma das histórias mais emocionantes da noite veio de Bia Frecceiro. Tendo uma vida confortável e com medos mais triviais como de abelhas e baratas, viu sua relação com esse sentimento mudar drasticamente quando, durante a gravidez da sua terceira filha, identificou um câncer de mama. Ao mesmo tempo em se deparou com a possibilidade da morte, ela tinha uma vida se desenvolvendo dentro da sua barriga.

Ela fala que, nessa gravidez, além da filha Louise, ganhou também uma força extraordinária para lutar contra os medos que viriam mais adiante. “Eu só descobri o câncer porque estava grávida. A Louise salvou a minha vida. E eu tinha que salvar a vida dela.”

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Ao ser diagnosticada, foi orientada por um médico a abortar enquanto estava com dois meses de gestação. Bia se recusou. Procurou outro especialista que lhe apoiou: você vai, sim, ter a sua filha.

E, aí, começou a batalha contra a doença e pela vida dela e da filha. Bia retirou a mama e fez quimioterapia durante a gravidez com uma certeza: ela teve um câncer, mas o câncer não a teria.

Vinte e cinco dias após o nascimento da filha, a difícil decisão de interromper a amamentação para retomar as sessões de quimioterapia que duraram mais 10 meses e a obrigaram a raspar os cabelos antes da queda total provocada pelo tratamento. O baque na autoestima foi revertido com a decisão de assumir e compartilhar o momento com os amigos pelas redes sociais. Em vez de se sufocar com o medo, Bia se abriu para receber amor e carinho das pessoas próximas. E sua disposição de viver só aumentou, ao mesmo tempo em que via seu maior prêmio, a pequena Louise, crescendo a cada dia. Hoje, Bia está curada e sem medo das temíveis baratas voadoras. Hoje, afirma, só tem amor.

Educação na guerra

Se tem alguém que tem amor pelo que faz, certamente é o nigeriano Zannah Mustapha. E ele tem motivos para isso. O advogado leva educação para cerca de 1,2 mil crianças do seu país, incluindo as que são forçadas a abandonar suas comunidades por conta da violência. Essa é a incansável missão perseguida por ele há quase uma década e que lhe rendeu prêmios como o Nansen, da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). O trabalho de Mustapha também foi fundamental para a liberação de cerca de 270 estudantes sequestradas pelo Boko Haram em abril de 2014, em um ato que provocou comoção no mundo todo e que só pode ser concluído três anos depois, em 2017.

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Nos dias em que antecederam o Inspira, Zannah passou por duas escolas públicas de bairros carentes de Recife. Jogou futebol com crianças, conversou com adolescentes e, mais do que isso, passou uma mensagem para que acreditem no futuro e mantenham a esperança de que são capazes de sonhar e realizar o que desejam. A visita foi tema de reportagem veiculada na última sexta, dia 10, no Jornal das 10, do canal Globo News.

No Inspira, Zannah contou como fundou a sua escola. “Eu nasci e cresci na cidade. Senti que me tornei um exemplo para eles e precisava ajuda-los de alguma forma.”. Zannah ainda contou que sente vários medos e um dos mais latentes é o de não poder ajudar as crianças a terem um futuro melhor do que aquela realidade em que viviam. “Como ser humano eu tenho um dever para a minha comunidade. Então, com a fundação que criei, antes de dar educação, comida e roupa, eu dou um futuro para eles.”

Papo ou selfie com o Papa?

O maior medo de Houari Morais é ser filmado preso em algum lugar, no meio de uma enchente em vez de ser socorrido. Ele alerta para o fato de que o uso excessivo da tecnologia e do fenômeno de massa das redes sociais faz com que passemos a viver apenas online. Onde tudo vale mais a foto e o vídeo compartilhado do que a experiência vivida.

E nessa necessidade de ser notado, ele acredita que nos esquecemos de viver. “Deixamos de curtir uma experiência real para registrar filmes e fotos rapidamente compartilhadas em mídias sociais”, analisa. Ele questiona o que cada um faria se estivesse num elevador com o Papa: aproveitaria a oportunidade para conversar, pedir a opinião dele, o perdão por algo ou preferiria uma selfie ?

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Citando novas formas de relacionamento digital, como o React (vídeos registrando as emoções de pessoas vendo outros vídeos), ele entende que nos tornamos espectadores da vida alheia, deixando as nossas vivências e experiências próprias de lado. E esse é seu maior medo: que tenhamos desaprendido a viver do lado de cá dessa tela que você está vendo agora.

Houari ainda propõe uma reflexão do quanto estamos colocando a tecnologia na nossa prioridade e deixando de lado coisas simples da nossa realidade. “Não tenho medo só do futuro, mas do que já passou. Precisamos deixar de lado qualquer coisa que o celular nos oferece para aproveitarmos cada vez mais momentos reais com as pessoas que amamos.”

Sobrevivente da queda do avião

Jakson Follmann foi um dos sobreviventes da queda do avião com o time da Chapecoense em novembro de 2016, em que morreram 71 passageiros, entre jogadores, dirigentes e membros da tripulação. No acidente, Folmann perdeu uma perna e ganhou várias cicatrizes e medos, que veio compartilhar com a plateia do Inspira. “Sempre tive medo de andar de avião, mas era uma luta interna que eu, enquanto jogador profissional, tinha que superar.”

Do acidente e dos dias que se seguiram, sobram fragmentos de lembranças. A mais importante: a força que sempre enxergou nos olhos da família. Do pai, veio a determinação de lutar. Afinal, não seria possível continuar na dependência de ser carregado no colo pelo para para fazer qualquer deslocamento.

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Follmann contou ainda que antes de embarcar naquele voo trágico, ainda no aeroporto, decidiu comprar de um senhor que pedia ajuda para uma escola o livro “Esperança Viva.” Era uma forma de passar o tempo de um voo, que seria longo. Tirou uma foto e compartilhou com a mulher. O livro, que nunca foi aberto, perdeu-se nos escombros do avião.  No hospital, durante a recuperação, ganhou um novo exemplar desse livro. No entanto, diz, “Tenho medo de abrir ele (livro) e continuar lendo. Não sei o que vou encontrar ali.”

Apesar de todos os medos e lembranças de um dia que nunca vai esquecer, Follmann diz se orgulhar de hoje ser um amputado “Perdi a perna, mas não deixei o medo me abater. Hoje tenho alegria de viver.”

Xilique nas alturas
Andar de avião também é um medo para Lenilda Martins. E essa história começou ainda na lua de mel, quando teve um “xilique aéreo” que mobilizou todas as comissárias em um esforço para acalmá-la. Lenilda contou que voar é sempre um desafio para ela, uma mistura de ansiedade generalizada com doses de dor de cabeça, enjoo e falta de ar. E tudo isso afeta sua família, já que por conta de seu medo, nunca fizeram viagens sonhadas para Europa e países distantes.

Mas, numa daquelas ironias do destino, seu filho mais velho, Vinícius, estudou e virou, justamente, um piloto de avião.

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E um dia, Lenilda foi convidada para um voo guiado por ele. “Como eu poderia deixar de confiar em alguém que sempre confiou em mim”, questionou. E ela decidiu enfrentar o medo por ele. Lá em cima, o orgulho em ver que o filho cresceu e aprendeu, literalmente, a voar, a fez esquecer o medo. Afinal, ele manipulava com tanta destreza aqueles equipamentos que parecia ela na frente do SisBB. E, naquele momento,  foi possível, pela primeira vez, contemplar o mundo do alto.

Decidida a ir além, resolveu fazer uma “analise SWOT” dela própria e listou suas forças e fraquezas para relacionar seus medos e capacidade para superá-los. Mas não foi fácil. Rapidamente, diz, preencheu páginas com as fraquezas, mas as forças... só com uma lupa. “As fraquezas estão o tempo todo diante de nós, como uma barreira, impedindo nosso progresso.” Mas, para Lenilda, as chaves para abrir essas barreiras estão nos nossos bolsos, basta procurarmos. E, no seu caso, persistência e fé serão essenciais para que, um dia, ela faça aquela viagem dos sonhos e sem nenhum “xilique”.

O medo do silêncio

Djamila Ribeiro é uma das principais referências no movimento feminista negro no País. Em sua apresentação, destacou o que chama de medo do silêncio. Em uma crítica social contundente, alertou para o silêncio imposto pela sociedade. “Tenho medo do silêncio de viver em um País que a cada duas horas uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher e que a cada 23 minutos um jovem negro é morto.”

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Em sua fala, Djamila lembrou de casos de homicídios que causam medo por não gerarem revolta da sociedade. “Às vezes, a gente se indigna mais porque o Brasil não ganhou a Copa e não reflete sobre a realidade que está no nosso entorno. Tenho medo desse silêncio e das vidas que estão sendo silenciadas sem que a gente se comova ou que ache que é um problema nosso.”

No final, a ativista convidou a plateia a refletir sobre como muitas vezes colaboramos com o medo do silêncio, tratando lutas contra machismo e racismo, como assuntos chatos. “Se é chato falar sobre isso, imagina viver esse preconceito todos os dias, por onde você anda.”. Lembrando da ativista Audre Lorde, Djamila falou da importância de falar de seus medos em dois livros recentemente publicados: “É importante expormos esses medos. Se a gente não fala, o peso do silêncio vai acabar nos engasgando.”

Medos de ser demitido
Encerrando a noite, o presidente do BB, Paulo Caffarelli, trouxe um contexto histórico do medo, que é intrínseco ao ser humano e pode ser classificado em medo real e imaginário. Alertou ainda para as duas faces do medo: a que paralisa e que move. E lembrou que humanidade está cheia de exemplos que confirmam isso. Em muitos momentos, avançamos a partir do medo.

Caffarelli confidenciou que seu maior medo, durante uma parte da sua vida profissional no Banco, era ser demitido ou descomissionado. “O medo pode fazer com que você desista do que está fazendo e evite se superar. Mas também permite que você avance na vida.”, afirmou.
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E, para ele, o medo também se aplica às empresas, já que elas são feitas por seres humanos. Por isso, defendeu a importância de todos, juntos, construírem caminhos para o BB superar seus medos empresariais.
Lembrando que todos os 98 mil colaboradores da ativa, agora, são também donos, Caffarelli disse ainda que a semente plantada com a distribuição das ações divulgada na quinta (09) irá florescer à medida em que os novos acionistas do Banco trabalhem em conjunto para aumentar o relacionamento do Banco com os clientes e garantir a melhor experiência para eles. “Levantamos a bandeira de que todos somos 001 e tenho convicção de que isso não será um utopia, nem um discurso, mas uma prática”.

Ao finalizar a apresentação, Caffarelli citou um proverbio indiano que diz que a vida começa onde termina o medo e lembrou que nossos medos pessoais ou empresariais andam juntos com a história do Banco do Brasil. “Em uma empresa como a nossa, feita por pessoas, os nossos medos profissionais tem que ser superados para que a Empresa continue avançando e fique no lugar onde mereça estar”.

 

 

Local do Evento

Teatro RioMar
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Recife - PE
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